terça-feira, 8 de maio de 2007

MANUAL DE ALFABETIZAÇÃO PARA MESTRES

F. ANTENOR GONSALVES
Dados para Catalogação na Publicação (CIP) Internacional
e Câmara Boliviana do Livro:


Gonsalves, F. Antenor.
Manual de Alfabetização para Mestres / F. Antenor Gonsalves.
Bolívia – 2004.

1 – Literatura latino-americana I. Título.

Índice para catálogo sistemático:

1 – Pedagogia. Século XXI. Literatura latino-americana.
2 – Século XXI. Pedagogia. Literatura latino-americana.

Todos os direitos reservados de acordo com

legislação em vigência.

Revisão, diagramação, editoração, paginação, digitação, capa:
F. Antenor Gonsalves.

Impreso y hecho en Bolivia.


ISKRA
EDITORA E DISTRIBUIDORA

EDUCADOR! POR AMOR À VERDADE E A SUA PÁTRIA, ENSINE AOS SEUS ALUNOS QUE AMERICANOS SOMOS TODOS NÓS DO CONTINENTE AMERICANO.
O GENTÍLICO DE QUEM NASCE NOS ESTADOS UNIDOS É IANQUE, GANGSTER, OU, NA MELHOR DAS HIPÓTESES, ESTADUNIDENSE.

ESTA VERDADE FAZ DIFERENÇA.

Antenor.

MANUAL DE ALFABETIZAÇÃO
PARA MESTRES

A princípio, o MANUAL DE ALFABETIZAÇÃO PARA MESTRES seria um manual para o mestre alfabetizar; um guia de alfabetização para o mestre trabalhar em sala com os seus alunos. Porém, não me custou muito ver que os próprios mestres (indistintamente nos primeiro, segundo e terceiro graus!) necessitam de uma base alfabética. Eles próprios são elos de uma grande corrente de ensino aleijado – e isso se agravou mais ainda com a reforma do ensino ocorrida no início de 1972, quando, por orientação dos Estados Unidos, via agentes da CIA incrustados nos cérebros dos dirigentes da ditadura militar no Brasil, neuróticos com o fantasma do comunismo, impuseram o ensino profissionalizante, supondo que o filho do proletariado, tendo uma mão-de-obra qualificada (ainda que no nível de segundo grau), daria à classe social dirigente dupla vantagem: a primeira e a mais importante ou interessante para o capitalismo – tanto nacional quanto internacional – seria (o que ainda é fato) que o trabalhador desprezaria o legítimo anseio pelo ingresso à Universidade, abdicando da oportunidade de se preparar técnica, científica e politicamente para concorrer com a burguesia nacional pela ascensão ao poder em nível de igualdade; a segunda vantagem para a classe dirigente – e não menos imprescindível que a primeira – é que a mão-de-obra melhor qualificada e custeada pelo Estado e não mais pelas empresas privadas, aumentaria (como de fato aumentou em cerca de duzentos e setenta e seis por cento) o lucro do capital estrangeiro no país logo nos primeiros anos seguintes à Reforma.
Um fato marcantemente negativo no ensino nacional – e eu não reitero tão-somente no ensino da Língua Portuguesa, mas até mesmo das Exatas – foi a supressão do ensino elementar de Latim. Aprender a língua latina não só capacita ao aprendizado das demais línguas derivadas como amplia o campo de compreensão do aluno para todos os ramos do ensino.
Introduzir o ensino da língua inglesa na pauta curricular, aumentando assim o predomínio da cultura e a hegemonia estadunidenses sobre os demais países, não foi tão-somente com o objetivo de facilitar a linguagem comercial, mas facilitar a colonização e o expansionismo dos Estudados Unidos sobre o mundo.
Foi o que eu chamo de corte histolístico no ensino público nacional brasileiro e, paralela e seguidamente, nos demais países sob ditaduras orientadas e comandadas pelos Estados Unidos.
O ensino médio profissionalizante e especializante limita a mente, o intelecto, a criatividade... transformando o trabalhador em mera força de trabalho, ao ponto de fazer com que o trabalhador colocado no mercado de trabalho se sinta um vencedor; um “realizado”. Alguém que não tem nada a reclamar da vida. Em outras palavras: alguém que jamais subverterá a ordem estabelecida, portanto não representa nenhuma ameaça ao sistema vigente.
Fora do contexto, a princípio, o título pareceu – a alguns – um “arrufo de arrogância”; a outros nada mais pareceu que uma injustificável pretensão elevada ao paroxismo.
Mas cristaliza-se a idéia de que o Manual não atingiria seu objetivo inicial, pois (mal grado meu) constatei em campo que o próprio mestre tem uma base alfabética insatisfatória por vários elementos somatórios: o ciclo vicioso de governos que fingem que pagam ao professor; o professor que – por sua vez mal remunerado – finge que ensina, e o aluno que finge que aprende, pois o objetivo maior do aluno já não é a sabedoria, mas sim um certificado de conclusão de um curso qualquer que o insira no mercado.
A inversão de valores já não é mais uma criminosa praxe e sim uma banalidade arraigada na cultura geral. A inversão de valores é ilustrada pelo seguinte exemplo: um professor em um município do Maranhão ganha 9,47% do salário mínimo vigente no país, enquanto um jogador de futebol ganha milhares de Euros por hora! Daí, ser banal ouvir-se de qualquer criança, quando indagada com aquela velhena beocidade “o que você quer ser quando crescer?”, a resposta sair prontamente:
– Jogador de futebol.
O fato é que da idéia inicial de elaborar um manual para o mestre usar em sala de aula, surgiram as dificuldades que fazem com que seja imperativa e justa a pretensão de que o manual servirá para alfabetização (também) do mestre, já que o que se aprenderá aqui não se ensina em sala de aula, pois o ensino profissionalizante e a profissionalização do ensino agregaram o corte histolístico; seccionaram o aprendizado: não aprendemos a estrutura alfabética, mas a frase já construída – é algo como não se aprender a preparar a argamassa, mas a construir a parede – a casa poderá cair!
E, muitas vezes ou quase sempre, o que interessa mesmo aos governantes – muitos deles nada mais são do que testas-de-ferro do capital estrangeiro – é alterar a estatística alarmante de analfabetismo, para satisfação do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas não nos iludamos pensando que o FMI se preocupa com a qualidade cultural e intelectual das massas; é que os avanços tecnológicos e científicos exigem que um operador de máquinas saiba ao menos ler os painéis de comando dessa máquina, escritos geralmente em inglês.


UMA BREVE MORFOLOGIA
(UM CASO DE SEMÂNTICA)

É imprescindível distinguirmos o mestre do professor, pois o mestre forja (forma) o cidadão, tanto filosófica, tanto humana e humanisticamente quanto educacionalmente. O professor apenas profissionaliza; forma o profissional; transmite um ofício; forma um mero proprietário de força de trabalho. O professor apenas elabora uma engrenagenzinha a mais para o grande mecanismo de produção capitalista; já o mestre forja o cidadão possuidor de idéias próprias, de senso analítico e crítico, capaz de questionar, discordar, tomar decisões e subverter as ordens estabelecidas. Enfim, de criar o novo e recriar o velho. O mestre (ou o educador) forma cidadãos bem educados e pensantes; o mestre transforma (trans+forma = além da forma) o ser. Já o professor prepara (pré+para = antes molda para torná-lo de uso público e geral) o humanóide para ser inserido na grande máquina de produção.

Professor – palavra latina que significa aquele que professa; que exerce uma profissão.
Na antiguidade, era aquele que transmitia o seu ofício: carpinteiro, ferreiro, pedreiro, ourives...
Mestre – do latim magister (lê-se magíster), significa de conhecimento e sabedoria extraordinários.
Os mestres, principalmente na Grécia antiga, eram sábios e filósofos que fundavam escolas e formavam seus discípulos.

ALFABETO

Símbolos ou caracteres convencionados entre povos que, ao serem ajuntados formando palavras, transmitem idéias, facilitando a comunicação escrita.
No mundo ocidental foi adotado o alfabeto grego (Αα – alfa = a, Ββ – beta = b, Γγ – gama = g, Δδ – delta = d, Εε – épsilon = e breve, Ζζ – zeta = z, Ηη – eta = e longo, Θθ – theta = th, Ιι – iota = i, Κκ – capa = c ou k, Λλ – lambda = l, Μμ – mi = m, Νν – ni = n, Ξξ – xi = x, Οο – ômicron = o breve, Ππ – pi = p, Ρρ – ro = r, Σς – sigma = s, Ττ – tau = t, Υυ – ípsilon = u francês, Φφ – fi = f, Χχ – ji = j, Ψψ – psi = ps, Ωω – ômega = o longo) modificado pelos romanos.
No alfabeto temos consoantes e vogais.
O primeiro grupo é formado pelas consoantes, que são divididas em funcionais e especiais. As funcionais são monossilábicas, escritas pela respectiva letra mais a vogal e acentuada de circunflexo, pois são sempre fonemas fechados; por exemplos: bê, cê, dê, pê, tê, vê, zê. As especiais têm mais de duas letras e algumas são formadas por duas sílabas em sua escrita, sendo que algumas têm duas escritas e duas pronúncias diferentes: fê ou efe, gê ou guê, agá (observar que esta letra não é propriamente uma consoante, mas um símbolo que, devido a etimologia e a tradição escrita do nosso idioma, se conserva no princípio de várias palavras e no fim de algumas interjeições, como: haver, hélice, humanismo, ah!, oh!, et cetera), jota, lê ou ele, mê ou eme, nê ou ene, que, erre ou rê, esse, xis (e o não conhecimento disto gera aquelas terríveis dúvidas: quando é g e quando é j? Quando é s e quando é z? Quando é x e quando é ch?...).
Ainda sobre o h (agá), observar que no interior do vocábulo é somente usado em dois casos: quando faz parte do ch, do lh e do nh, que representam fonemas palatais, e nos compostos em que o segundo elemento, com h inicial etimológico, se une ao primeiro por meio de hífen: chave, malho, rebanho; anti-higiênico, contra-haste, pré-histórico, sobre-humano, et cetera. Mas nos compostos sem hífen, elimina-se o h do segundo elemento: desarmonia, inabilitar, reaver...
O segundo grupo é o das vogais – do latim vocalis – cujo significado é: que se refere à voz; o que, a princípio, já fica claro que sua importância maior é na linguagem oral.
As vogais têm som aberto e se subdividem em vogais (amplas ou completas, pois pronunciamo-las com a boca aberta): a, e, o; e semivogais (pronunciamo-las com a boca semi-fechada): i, u.
Os regionalismos lingüísticos do português falado no Brasil (principalmente a partir do século dezenove, com a imigração de trabalhadores de origens anglo-saxônicas, e já não apenas dos colonizadores portugueses e dos invasores holandeses e franceses) têm como marcas os sons fechados para as vogais e e o (sons abertos, semelhantes ao do é do verbo ser e o ó da interjeição invocativa), chegando mesmo a ser ensinado nas escolas de algumas regiões brasileiras o a-e-i-o-u como sendo a-ê-i-ô-u!!!

IMPORTANTE:
A letra e na função de conjunção aditiva (João e Maria) deve ter o som de i, pois essa letra substituiu o y que tinha tal função até a entrada em vigor das INSTRUÇÕES PARA A ORGANIZAÇÃO DO VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA, publicadas pela Academia Brasileira de Letras, aprovadas unanimemente na sessão de 12 de agosto de l943, que, por sugestão do ministro da Educação e Saúde – consoante com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, edição de 1940 – recomendara através de portaria que tais mudanças também fossem adotadas na ortografia nacional.

Até então o alfabeto português usado no Brasil consistia de vinte e seis letras, sendo que a partir daí foram excluídos o k, o w e o y.
O k foi substituído por qu quando seguido de i ou e, e por c quando seguido de qualquer outra letra; o w pelo u ou v, dependendo do seu valor fonético e da etimologia: visigodo, sanduíche, etc., e o y – como já vimos – pelo i, mas continuam sendo usados em abreviaturas de unidades de medidas e símbolos como também em palavras estrangeiras de uso internacional: K = potássio; Kr = criptônio; kg = quilograma; km = quilômetro; kW = quilowatt; etc. Os derivados portugueses de nomes próprios estrangeiros devem escrever-se de acordo com as formas primitivas: kantismo. Em alguns termos técnicos e científicos: Y = ítrio; yd = jarda, etc. O y também é usado em Matemática como a segunda incógnita.

As vogais têm valor secundário na escrita, e podem até mesmo ser supressas quando usamos o recurso desta linguagem.
A escrita seria possível somente com as consoantes.

I PARTE
REFORMA ORTOGRÁFICA

NOVA
ORTOGRADAFIA DA
LÍNGUA PORTUGUESA

(Reaprendendo a
ortografia brasileira)

Acordo Ortográfico

O propósito deste manual é levar ao leitor, de maneira prática, as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e, posteriormente, por Timor Leste.

No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo n° 54, de 18 de abril de 1995. Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países.
Como o documento oficial do Acordo não é claro em vários aspectos, elaboramos um roteiro com o que foi possível estabelecer objetivamente sobre as novas regras. Esperamos que este guia sirva de orientação básica para aqueles que desejam resolver rapidamente suas dúvidas sobre as mudanças introduzidas na ortografia brasileira, mas

sem flexionar no que diz respeito à preocupação com as questões teóricas.

Mudanças no alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser:
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações. Por exemplo:
a) na escrita de símbolos de unidades de medida:
km (quilômetro),
kg (quilograma),
W (watt);
Y (segunda incógnita de matemática;

b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados):
show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, Kafka, Keppler, kafkiano.

Trema

Não se usa mais o trema (¨), sinal gráfico colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.
Como era: Como fica:
agüentar aguentar
argüir arguir
bilíngüe bilíngue
cinqüenta cinquenta
delinqüente delinquente
eloqüente eloquente
ensangüentado ensanguentado
eqüestre equestre
freqüente frequente
lingüeta lingueta
lingüiça linguiça
qüinqüênio quinquênio
sagüi sagui
seqüência sequência
seqüestro sequestro
tranqüilo tranquilo

Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos:
Müller, mülleriano.

Mudanças nas regras de
acentuação

1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

Como era: Como fica:
alcalóide alcaloide
alcatéia alcateia
andróide androide
apóia (verbo apoiar) apoia
apóio (verbo apoiar) apoio
asteróide asteroide
bóia boia
celulóide celuloide
clarabóia claraboia
colméia colmeia
Coréia Coreia
debilóide debiloide
epopéia epopeia
estóico estoico
estréia estreia
estréio (verbo estrear) estreio
geléia geleia
heróico heroico
idéia idéia
jibóia jiboia
jóia joia
odisséia odisseia
paranóia paranoia
paranóico paranoico
platéia plateia
tramóia tramoia
Atenção: esta regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos:
papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.
Como era: Como fica:
baiúca baiuca
bocaiúva bocaiúva
cauíla cauila
feiúra feiura
Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos:
tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).
Como era: Como fica:
abençôo abençoo
crêem (verbo crer) creem
dêem (verbo dar) deem
dôo (verbo doar) doo
enjôo enjoo
lêem (verbo ler) leem
magôo (verbo magoar) magoo
perdôo (verbo perdoar) perdoo
povôo (verbo povoar) povôo
vêem (verbo ver) veem
vôos voos
zôo zoo

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Como era: Como fica:
Ele pára o carro. Ele para o carro.
Fui ao pólo Fui ao polo
Norte. Norte.
Ele joga pólo. Ele joga polo.
Este gato tem Este gato tem
pêlos brancos. pelos brancos.
Comi a pêra. Comi a pera.
Atenção!!!
Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito
do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Exemplo:
Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo:
Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos:
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de La Paz. / Eles vêm de La Paz.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo:
Qual é a forma da fôrma do bolo?

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Estes verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.
Vejamos:
a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, estas formas devem ser acentuadas. Exemplos:
I - verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
II - verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.
b) se forem pronunciadas com u tônico, estas formas deixam de ser acentuadas.

Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada
mais fortemente que as outras):
I - verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.
II - verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos.

Uso do hífen

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.

As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice, etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos:
anti-higiênico
anti-histórico
co-herdeiro
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano
Exceção: subumano (neste caso, a palavra humano perde o h).

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplos:
aeroespacial
agroindustrial
anteontem
antiaéreo
antieducativo
autoaprendizagem
autoescola
autoestrada
autoinstrução
coautor
coedição
extraescolar
infraestrutura
plurianual
semiaberto
semianalfabeto
semiesférico
semiopaco
Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante, etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:
anteprojeto
antipedagógico
autopeça
autoproteção
coprodução
geopolítica
microcomputador
pseudoprofessor
semicírculo
semideus
seminovo
ultramoderno
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante, etc.

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se estas letras. Exemplos:
antirrábico
antirracional
antirracismo
antirrepublicano
antirraquitismo
antirreligioso
antirrugas
antissocial
biorritmo
contrarregra
contrassenso
cosseno
infrassom
microssistema
minissaia
multissecular
neorrealismo
neossimbolista
semirreta
ultrarresistente.
ultrassom
5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exemplos:
anti-ibérico
anti-imperialista
anti-inflacionário
anti-inflamatório
auto-observação
contra-almirante
contra-atacar
contra-ataque
micro-ondas
micro-ônibus
semi-internato
semi-interno

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. Exemplos:
hiper-requintado
inter-racial
inter-regional
sub-bibliotecário
super-racista
super-reacionário
super-resistente
super-romântico
Atenção!
Nos demais casos não se usa o hífen. Exemplos:
hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.
Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavras iniciadas por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano, etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exemplos:
hiperacidez
hiperativo
interescolar
interestadual
interestelar
interestudantil
superamigo
superaquecimento
supereconômico
superexigente
superinteressante
superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos:
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-pátria
sem-terra

9. Usamos o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani = açu, guaçu e mirim. Exemplos:
amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos:
acordo Brasil-Venezuela, dobradinha João-Maria, ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

11. Não se deve usar o hífen em palavras que perderam a noção de composição. Exemplos:
giramundo
girassol
madressilva
mandachuva
paraquedas
paraquedista
pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:
Na cidade, conta-
-se que ele foi viajar.
O diretor recebeu os ex-
-alunos.

Resumo

Emprego do hífen com prefixos

Regra básica

Sempre se usa o hífen diante de h:
anti-higiênico, super-homem.
Outros casos:
1. Prefixo terminado em vogal:
I - Sem hífen diante de vogal diferente:
autoescola, antiaéreo.

II - Sem hífen diante de consoante diferente de r e s:
anteprojeto, semicírculo.
III - Sem hífen diante de r e s, dobram-se estas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom.
IV - Com hífen diante de mesma vogal:
contra-ataque, micro-ondas.
2. Prefixo terminado em consoante:
I - Com hífen diante de mesma consoante:
inter-regional, sub-bibliotecário.
II - Sem hífen diante de consoante diferente:
intermunicipal, supersônico.
III - Sem hífen diante de vogal:
interestadual, superinteressante.

Observações
1. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r:
I - sub-região, sub-raça, sub-reitor, etc.
II - Palavras iniciadas por h perdem esta letra e juntam-se sem hífen:
subumano, subumanidade.
2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavras iniciadas por m, n e vogal:

circum-navegação, pan-americano, etc.
3. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante, etc.
4. Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen:
vice-rei, vice-almirante, vice-diretor, etc.
5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como:
girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.
6. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen:
ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-áfrica.

O Manual Prático da Nova Ortografia mostra, de maneira clara e objetiva, as alterações introduzidas na ortografia do português pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).
A implantação das regras desse Acordo, em vigor no Brasil e demais países acordantes a partir de janeiro de 2009, é um passo importante em direção à criação de uma ortografia unificada para a língua portuguesa, a ser usada por todos os países que tenham o Português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e, posteriormente, por Timor Leste.
As dúvidas que porventura existirem após a leitura do Manual Prático da Nova Ortografia poderão ser elucidadas comigo, em:

f_antenorgonsalves@hotmail.com
antenorgonsalves@yahoo.com.br
http://www.fantenorgonsalves.blogspot.com/
http://www.antenorsuperstite.blogspot.com/
http://www.fantenorgonsalves.zip.net/
Antenor Wajuru – no Orkut.

F. Antenor Gonsalves.

É claro que a reforma ortográfica tem como meta principal atender interesses mercantilistas – facilitar a comunicação e o intercâmbio entre os povos que têm um idioma comum, e tudo que serve para unir povos é substancialmente positivo.
Não esqueçamos que se trata de uma reforma. E tão-somente ortográfica.


PHASIS II
Dados para Catalogação na Publicação (CIP) Internacional e Câmara Brasileira do Livro:

Gonsalves, F. Antenor
Phasis – F. Antenor Gonsalves. Brasil.
Brasil – 2008.
VOLUME II
1 – Literatura 1. Título.

Índice para catálogo sistemático:
1 – Literatura. Século XXI. Literatura Universal.
2 – Século XXI Literatura. Literatura Universal.

Todos os direitos reservados de acordo com legislação em vigência.

Revisão, diagramação, editoração, paginação, digitação, capa:
F. Antenor Gonsalves.

Impresso no Brasil.

ISKRA
EDITORA E DISTRIBUIDORA
IDÉIAS

PHASIS II

F. Antenor Gonsalves

1
Receita wajuru para a felicidade plena:
1) nunca dê importância às pequenas coisas;
2) lembre-se sempre que tudo são coisas pequenas.
***
2
Eu não gostaria de ter um deus que me perdoasse os meus erros, mas que não me deixasse nunca errar.
***
3
Para mim, trabalho é prazer. E se trabalho dá trabalho até para a remuneração receber, isso não é nem mesmo quebra-galho, mas humilhação; crudeleza; sofrer... Assim sendo, é do meu revolucionário dever dispensá-lo antes que a chaga venha mais crescer.
***
4
Uma palavrinha dissilábica que diz tudo: NADA!
***
5
Dói-me saber que não há um céu nem um inferno: como eu gostaria de saber aonde eu iria me encontrar com os religiosos!
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6
Nenhum golpe é mortal se não levar à morte.
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7
Os religiosos argumentam – bestialmente! – que tudo que o homem inventou e criou até hoje é “dádiva de um deus”... e que “deus dotou esses homens de inteligência especial”...
Ora! Ora! Os gênios – inventivos e criativos – são ateus ou, no mínimo, contestaram a existência de um deus. Pode-se, então, concluir que deus castiga seus fieis e seguidores com a burrice.
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8
Perdi 100% das batalhas que não travei.
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9
“De tanto ver triunfarem os desonestos”, a cada dia sinto mais orgulho de ser honesto.
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10
A imprensa não é imparcial e tampouco livre nem no Brasil, nem nos Estados Unidos, nem em Cuba, nem na China, nem nas conchinchinas... Não sejamos ingênuos!... É um mecanismo de propaganda de quem está no poder. Dos proprietários dos meios de comunicação.
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11
À notícia não cabe interpretação por parte de quem a dá, mas de reação por parte de quem a recebe. É um grande equívoco histórico não apunhalarmos por todo tempo necessário e por todos os lados até que a mídia mentirosa e sensacionalista se dessangre.
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12
A formiga não tem medo do elefante porque em sua pequenez ela mal ver uma parte da pata do gigante.
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13
Produziram um tipo de sociedade onde cada mulher ver na outra uma concorrente em potencial, e cada homem ver no outro um possível sócio.
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14
Ao ver um trabalhador ser impedido de adentrar um fórum por um daqueles juízes, pelo fato de não calçar sapatos, não me sobrou dúvida de que a moral e a dignidade do judiciário brasileiro estão abaixo do chinelo de um operário.
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8 comentários:

Tereza disse...

LENDO ESSAS LINHAS, ME REPORTO AO TEMPO QUE SAI COM UM "CANUDO" NAS MÃOS DA UNIVERSIDADE, E A PRIMEIRA PERGUNTA FOI? - O QUE FAZER COM ISSO???? ONDE COLOCA-LO? PARA QUE ELE SERVE???
NA PRÁTICA PRA NADA....SAI COMO PROFESSORA, NO SENTIDO MAIS RADICAL DA PALAVRA...
HOJE, JA ME SINTO NO DIREITO DE ME SENTIR UM MESTRE. MAS FOI UMA METAMORFOSE, DOIDA, RENEGADA EM ALGUNS MOMENTOS, MAS AO FIM.... SAI DO ESTADO DE PULPA E VIREI UMA BORBOLETA....METAFORISANDO PARA EXPLICAR ESSA MUDANÇA...
HA! SE ISSO FOCE UMA VERDADE PARA A EDUCAÇÃO.... MAS... COMO DIZEM POR AI... O QUE É VERDADES? PRA QUE ELAS SERVEM??? OU MELHOR A QUEM ELAS SERVEM....
o TEXTO NOS FAZ REPENSAR AS METODOLOGIAS DIÁRIAS E PARIR UMA RAZÃO PELKA QUAL AINDA NOS SENTIMOS ESTIMULADOS A SEREMOS MESTRES....
CRISTINA

Nilda Garrido disse...

Cadê a segunda parte?

Anônimo disse...

Caro amigo escritor.

Israelandia 24 de Novembro de 2007. Bom realmente seus livros sãos um explendor. Uma satisfação de estar aqui e uma responsabilide imença de comentar neste livros.
Gostei muito dele realmente é uma alegria de ver paginas por paginas, aprende muito sobre a vida agora tenho mostrar o que lei aquie e fazer la fora.
Socesso!. Falou..

Lucas top
Nuto!

Jade disse...

Antenor

Gostei muito, muito.
Excelente.
Pelo que li, você também gosta do J.G de Araújo Jorge.
Tenho uma Comunidade dele (pode encontra-la nas minhas comunidades). Gostaria de tê-lo participando, escrevendo.
Coloquei seu Blog nos meus favoritos.
Um abraço,
Jade

Rico disse...

Ficou legal, mas vou esperar vc terminar a segunda parte...
Continue assim que vc vai ter muitos sucesso...
Gostei das guerrilheiras...
Abraços..

FABIO disse...

estive por aqui; vou continuar lendo e farei em breve comentarios mais profundos, apos melhor analise.

samya karla disse...

Caro Antenor!!!Gostei muito,teu trabalho esta maravilhosa. O sistema educacional precisa de pessoas como você.

Jair Francisco da Silva Júnior disse...

Sempre que leio algo que você escreve sinto-me profundamente inspirado! Que saudades, grande amigo...

Como podemos nós mesmos governar o mundo sem delegarmos poder a corruptos?

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